Seja Bem Vindo ao Blog do Jornalista Carlos Sinésio
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Destaques de Março, 2010
Canetadas on Line - Por Jurandir carmelo
Postado em 2010-03-14 12:29:01
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Algo a Dizer - Por Carlos Sinesio
Postado em 2010-03-12 09:59:32
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Eduardo Campos tranquiliza povo de Alagoinha
Postado em 2010-03-12 07:45:19
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JC divulga atrações turísticas de Pesqueira
Postado em 2010-03-11 10:08:35
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O bispo quer a carteirinha de jornalista - Por Alberto Dines
Postado em 2010-03-11 07:14:49
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Governador visita Alagoinha nesta quinta-feira pela manhã
Postado em 2010-03-11 06:36:14
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Um carnaval a mais... - Por Walter Jorge de Freitas
Postado em 2010-03-10 11:54:42
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Os temores de terra que abalam Alagoinha
Postado em 2010-03-10 06:46:25
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Tremores de terra foram percebidos em Alagoinha nessa segunda-feira
Postado em 2010-03-09 09:28:55
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CARTA DE LEITOR
Postado em 2010-03-09 07:32:48
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Pesqueirenses de luto com morte de jornalista
Postado em 2010-03-09 07:28:08
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A origem da raça humana
Postado em 2010-03-08 11:49:47
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Leitor do blog homenageia as mulheres
Postado em 2010-03-08 11:41:39
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Estado comemora a quase esquecida revolução de 1817
Postado em 2010-03-08 08:43:09
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Diário publica hoje reportagem sobre Irmã Adélia
Postado em 2010-03-07 07:08:23
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Memorial frustrante de minha terra - Por Luizinho Freitas
Postado em 2010-03-05 07:12:04
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Memorial frustante de minha terra - Por Luizinho Freitas
Postado em 2010-03-05 07:11:23
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Preparem o candeeiro - Por Walter Jorge de Freitas
Postado em 2010-03-04 07:01:20
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Desertificação é tema de encontro nacional nesta quinta-feira
Postado em 2010-03-03 14:32:19
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Audiência Pública da Compesa vai tratar da Adutora do Agreste
Postado em 2010-03-03 09:04:41
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A devastação da caatinga, segundo o Governo federal
Postado em 2010-03-02 14:22:39
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Raios mataram 1,3 mil pessoas no País em dez anos
Postado em 2010-03-02 09:22:08
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Estado anuncia resultado do edital Pernambuco de Todas as Paixões
Postado em 2010-03-02 09:11:24
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Profissionais de saúde são orientados sobre a gripe A em Arcoverde
Postado em 2010-03-02 09:07:43
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Carnaval de Pesqueira emociona - Por Sebastião Gomes Fernandes
Postado em 2010-03-01 13:40:20
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Canetadas on Line - Por Jurandir carmelo
Postado em 2010-03-14 12:29:01

CANETADAS ON LINE - Por Jurandir Carmelo (*)

UMA HOMENAGEM AO JORNALISTA JOSÉ DO PATRÍCINIO OLIVEIRA

Confesso, sem falsa modéstia, que não encontro dificuldades para escrever. Desenvolvo qualquer tema, dentro dos meus parcos limites de conhecimento, muitas vezes consultando do Aurélio, passando por uma obra literária de reconhecido valor, até mesmo um papel escrito que encontro jogado sobre uma calçada qualquer da vida. E digo isso sem nenhuma pretensão para comigo, muito menos qualquer despretensão para com os recheados do saber, esses muitas vezes opulentos por natureza.

Sempre foi assim, desde a minha adolescência. Muitas vezes não tenho certeza se escrevo para mim mesmo, ou para os outros. Quais outros? Sei lá! Simplesmente escrevo! Se o texto fica bom ou ruim também não sei. Não sei mesmo, não tenho certeza. Também, não escrevo para agradar a ninguém. Talvez essa seja a minha motivação maior, ou o maior defeito. Defeito? Será? Não, acho que não!

Escrever não é a arte de prestar contas. Presta contas que tem contas a prestar. Para prestar contas se escreve um relatório, com dados técnicos, contábeis, suas receitas e despesas, etc e tal.

Mas têm vezes que não sei como começar uma crônica, uma reportagem, um escrito qualquer. Simplesmente começo. Já escrevi rindo, chorando, motivado por instantes de alegrias ou tristezas. Muitas das vezes saboreando um Café, um Wisck, um bom Vinho. Sou cervejeiro nato, ANTARTICA É LÓGICO..., A BOA! Mas cerveja não inspira ninguém. Cerveja só serve mesmo para preencher o tempo, crescer a barriga, jogar confessa fora e passar o calor. Porém, escrevo e isso é o bastante! Procuro mais ou menos ser fiel ao texto, buscando respeitar a ortografia, a concordância, a pontuação, etc. Agora mesmo, 04h44min do dia 10 de março de 2010, estou diante da tela do computador sem saber começar. E de repente me dou conta de que já comecei. Vai-se bom ou ruim, não sei. Mas vai! Isso é o que menos importa.

O mais difícil é quando entendemos que ao escrever estamos cumprindo uma missão. E isso aqui é uma difícil e importante missão, difícil missão: escrever algo sobre meu velho e querido amigo-irmão José do Patrocínio de Oliveira. Mas, não poderia jamais deixar de dizer algo sobre Zé do Patrocínio. Seria como negar a mim mesmo! Mas é difícil, repito, principalmente, quando é missão. E essa está sendo uma dura missão. Porém, não posso faltar, como já expliquei!

No dia do falecimento de Patrocínio pedi licença ao seu filho caçula, o Antonio, para passar alguns emails comunicando o trágico acontecimento. Que doeu, doeu! Mas não poderia ser diferente, Patrocínio tiinha muitos amigos aqui em Pesqueira, terra da sua amada e dedicada esposa, nossa conterrânea, essa amiga/irmã, essa mulher extraordinária que é dona Iolanda Cordeiro do Patrocínio.

Por outro lado, Sinésio manda-me um email pedindo-me para escrever algo sobre o Patrocínio, falecido anteontem, dia 08 e sepultado ontem, dia 09 de março de 2010, no Cemitério do Santo Amaro, em Recife, no mausoléu dos jornalistas, para postar em seu blog. Lógico que seria CANETADAS, mesmo que longa. Sou prolixo, todos os meus estimados leitores sabem disso. Já me desculpei várias vezes, mas fazer o que? É do meu estilo. E para mudar estilo é difícil.

Se já era a minha pretensão, o pedido de Sinésio foi ainda mais decisivo: “escreva ‘seu’ Jurandir”! (como no linguajar matuto do nosso querido amigo Vandeck Souza Santiago: “seu” fulano, “seu” cicrano). Estava Eu apenas aguardando passar a forte emoção de tristeza que me tomara alma e coração, pela notícia da morte do pranteado extinto. A morte de Patrocínio se constitui para os seus familiares e seus amigos uma perda irreparável. Assim considero a sua perda, ou como disse o pesqueirense Ésio Araújo em relação ao falecimento de Jurandir Brito de Freitas, no ano de 1947, com matéria publicada na Folha de Pesqueira, jornal do velho jornalista Paulo de Oliveira, meu saudoso pai, também, amigo de Zé do Patrocínio: “É A MORTE PREMATURA DA BONDADE”. E o foi! Até porque a bondade não tem idade!

Ao saber que Patrocínio foi sepultado no Mausoléu dos Jornalistas, logo pensei: não poderia existir melhor sepultura para os restos mortais de Patrocínio do que o Mausoléu dos Jornalistas, mesmo respeitando o venerável túmulo dos seus.

E pensei mais: já que aqui Ele não pôde ficar entre nós, por mais tempo, lá o seu lugar melhor, o Mausoléu dos Jornalistas. De lá para o Céu é um pulo. Os bons homens vão para o Céu! Alguém tem dúvida? Lá já deve ter encontrado Dr. F. Pessoal de Queiroz, Mário Melo, Luiz do Nascimento, Jorge Abrantes, Andrade Lima, Ulisses Lins de Albuquerque, Paulo de Oliveira, Eugênio Chacon, Oton Almeida, Luiz Neves, Andrade Lima, Osíris Caldas, Gilberto Freire, Rinaldo Jatobá, Monsenhor Olímpio Torres, Paulo Couto Malta, Esmaragdo Marroquim, Gilberto Osório de Andrade, Potiguar Matos, Professor José Lourenço de Lima, entre tantos outros. E assim a gente pode dizer: Hoje tem Congresso de Jornalistas no Céu.

E a pauta! Qual a pauta do Congresso? Com certeza a pauta será elaborada por Patrocínio e passa necessariamente pela defesa do diploma universitário para o jornalista, respeitado os que já exercem a profissão. Será um grande debate, disso não tenho dúvida alguma!

E como Patrocínio foi um autêntico jornalista Homem de imprensa, a homenagem foi muito oportuna e merecida, até porque era Ele um jornalista brioso, honrado, decoroso, digno, altivo, humilde, generoso, liberal, magnânimo, valoroso, corajoso, etc. A escolha foi acertadíssima, o Mausoléu dos Jornalistas!

Entre as qualidades apontadas acima, das quais era detentor Patrocínio, destaco a seguir a sua generosidade e a sua humildade. Patrocínio era generoso e humilde.

A generosidade de não ser orgulhoso. Podia ser! Tinha tudo para ser orgulhoso e até mesmo chato. Sabia de tudo sobre o jornalismo. Sabia mais, muito mais! Mas não era nem orgulhoso nem chato.

Era sim, diferente de muitos que exercem o “jornalismo”, nos dias de hoje. Tem gente que escreve uma carta à redação de um jornal da Capital e quando publicada enche o peito de orgulho, passa por a gente dita cuja para depois nem mais cumprimentar, com um leve aceno de cabeça. Já se acha o Dunga do pedaço, na sua ambiguidade!

Patrocínio era diferente desses! Conquistou o sucesso como jornalista escrevendo, também, cartas à redação de jornais da Capital, mas nunca encheu o peito de orgulho besta. Detentor de rara inteligência sobe aproveitar essa dávida para transmitir conhecimento. Foi professor de português, de inglês, de jornalismo. A sua biblioteca, no velho edifício Continental, na Avenida Guararapes, estava sempre à disposição de quem dela queria fazer uso, para consultas e pesquisas. Ensinava a quem queria aprender e aprendia quando ensinava! Foi um Mestre!

Como professor de inglês era uma sumidade. E como aprendeu? Pelo esforço, para justificar a sua curiosidade. Certa vez levou um ‘carão’ do seu Pai e em seguida umas ‘palmatoadas’, por utilizar palavras novas sem saber o significado. A partir desse dia passou a estudar tudo que lhe veio pela frente, inclusive o inglês.

Em uma importante entrevista, no ano de 2004, a um grupo de jornalistas pernambucanos contou essa história das ‘palmatoadas’, como conferimos a seguir:

ENTREVISTADORES: Nessa trajetória há um dado curioso. Você apareceu como professor de inglês e nós sabemos de sua intimidade com a língua portuguesa...

JP. Por causa das palmatoadas de meu pai, quando morávamos em Altinho. Eu sempre fui muito curioso em relação às palavras estranhas, desconhecidas. Quando as ouvia passava adiante sem saber os seus significados. Certo dia, cheguei à casa paroquial, para dar um recado de meu pai à irmã do vigário, responsável pela paróquia na ausência do padre. Ela estava muito ocupada na hora e não pôde me receber. Então disse à pessoa sua intermediária: “Diga àquela marafona que o meu pai...” Só depois dos bolos é que meu pai me explicou o significado da palavra: uma prostituta de baixa categoria. A partir desse episódio comecei a estudar as palavras, tanto assim que tenho a honra, a subida honra, de ter colaborado com o Dicionário Houaiss. Fui amigo dele. Quando ia ao Rio de Janeiro ele me apresentava aos amigos: “Aqui é o Professor Patrocínio, meu colega”. Quando ficamos a sós, eu dizia: “Professor, não me chame de colega. Junto do senhor me sinto uma formiguinha de doce...” Ele ria e continuava a me chamar. Aceitava muita contribuição que lhe mandei. Acentuava: “Patrocínio, os verbetes eu aproveitei bem”. Vocês (referindo-se aos entrevistadores) viram os originais de vários bilhetes do meu saudoso amigo, com o qual jamais falei de política.

Profundo conhecedor da língua portuguesa criou a Casa da Palavra Professor Antonio Houaiss, um carioca autor de vários dicionários, todos da família Houaiss. Mais disso foi repórter do Diário da Noite, do jornal do Commercio, correspondente do jornal O Globo e da Folha de São Paulo.

Editou por muito tempo (anos 60) o jornal falado da Rádio Jornal denominado REPÓRTER ESSO! Patrocínio era um Homem altamente informado. Dizia sempre que ninguém aprende na vida se não for através da leitura. Se souber ler bem, saberá escrever bem, lecionava!

Recentemente li uma matéria assinada pela escritora brasileira Lia Luft, também jornalista, na revista Veja, edição nº 2154, de 03 de março de 2010, intitulada “Alegres e ignorantes”.

Essa crônica me chamou a atenção porque reflete uma absoluta e verdadeira lição de vida para aqueles que pensam, ou que pensam que pensam. Com objetividade e elegância Lia Luft (para mim uma das pessoas que melhor escreve no Brasil, também, o Alberto Dines) puxou as orelhas das elites brasileiras, não as elites dos bens materiais. Essas, afortunadas, abastardas, abonadas, endinheiradas, têm em seus quadros até mesmo os “Beira-Mar” da vida, ou os chamados novos “ricos”, cuja origem dos “dinheiros”, nem sempre são bem explicadas.

Lia Luft na sua crônica sobre a elite pensante, assim assevera:

“...Como senti ao ler, numa dessas pesquisas entre esclarecedoras e assustadoras (quando vêm de fonte confiável), que mais de 30% da nossa chamada elite é de uma desinformação avassaladora. Aqui o termo "elite" não tem a ver com aristocracia, roupa de grife, apartamento em Paris ou décima recostura do rosto, mas com a gente pensante. A que usa a cabeça para algo além de separar orelhas...”.

E disse mais: "Estar informado e atento é o melhor jeito de ajudar a construir a sociedade que queremos, ainda que sem ações espetaculares.”

Patrocínio se encaixava muito bem nesse pensamento de Lia Luft. Ele pertencia à elite pensante, mas aqui se registre: à verdadeira elite pensante; Bem informado ajudava a construir a sociedade que tanto almejamos, sem a espetacularidade dos registros sociais, a mesma sociedade que a escritora Lia Luft e o Alberto Dines ajuda a construir.

Patrocínio nunca foi espetaculoso! O espetáculo para Ele era o jornalismo autêntico, o jornalismo notícia, a informação, o batente, a luta do dia a dia nos jornais para os quais trabalhava e que neles era uma espécie de jornalista operário.

Disse acima que qualidade não lhe faltava e que ficava com apenas duas delas: a generosidade e a humildade. Patrocínio era um Homem generoso e humilde. Ajudou a muita gente, mas não queria que ninguém soubesse.

Certa vez Patrocínio foi à minha banca de advogado em busca do ofício da profissão. Ligou para mim, quando ainda tinha meu escritório do Santo Albino, na Avenida Guararapes, e disse: “vou até a sua banca, pois preciso do seu ofício”.

Eu lembrava lá que banca era escritório e que ofício era profissão... Pois bem! Ao adentrar na sala foi direto ao assunto: “tenho uma ‘rica’ causa para voce. Uma mulher pobre que trabalhou a vida toda ao lado do marido e conseguiu as coisinhas dela, agora viúva, está sendo agredida por um desventurado da vida. Querem-lhe tomar o terreno, que nem mesmo dela é, pois que foreiro, sendo-lhe senhorio a Marinha brasileira. Amanhã Ela vem falar com voce. Certo? Mas nada lhe cobre, pois todas as despesas são minhas”. E assim foi. Ganhamos a ação e a pobre senhora ficou com o seu terreno.

Doutra vez, uma ação em Pesqueira. Procura-me, Patrocínio: “Tenho outra causa ‘rica’ para voce. Um “cidadão” estar em aluguel de uma dependência da casa de uma pessoa da minha relação de amizade, um amigo quase pobre na forma da lei. São 29 anos e o inquilino, “quase dono”, não quer sair. E disse mais: “o indistinto ’cidadão’, ainda canta: ‘daqui não saio daqui ninguém mim tira...’. “Assuma a causa! As despesas são todas minhas. Não quero que o meu amigo saiba disso, nem nada lhe pague”. E assim foi! O indistinto inquilino “cidadão” saiu. E o seu amigo teve de volta o pedaço da casa que alugara. Mais uma vitória, graças a Deus!

Patrocínio era assim! Ajudou muita gente, sem nada pedir em troca. Na Sorveteria e Bar Botijinha (Rua Matias de Albuquerque) e no Bar Savoy (Guararapes), lugares onde tomávamos um bom Chopp, Wisck, uma cachaça Pitu, ou uma boa cervejada (dependia do dia, do instante e da motivação), Ele sempre com a sua Brahma e Eu com a minha Antártica. Lá, naqueles lugares eu via Patrocínio sempre ajudando a um garçom ou a um engraxate (Viva aos engraxates da Avenida Guararapes!), ou mesmo a um ex-funcionário aposentados dos jornais por onde passou. Acho que foi Ele quem inventou o caixa dois (2) familiar, no bom sentido é lógico. Ajudava, mas nem mesmo dona Iolanda e os meninos sabiam disso. Eram gestos magníficos, esplêndidos.

Certa vez, em um discurso, o ex-governador Eraldo Gueiros afirmou, mas ou menos assim: “...os belos gestos eternizam os Homens...”. Patrocínio não precisa do bronze da sua estatueta em praças ou avenidas. Pelo que dissera Eraldo Gueiros, Patrocínio está eternizado pelos gestos. E disso sabem muitos jornalistas pernambucanos, principalmente aqueles que dividiram com ele os amargos da grande crise da empresa Jornal Commércio, quando esta passou a atrasar os salários dos seus funcionários. Patrocínio foi um pai para muitos deles, jornalistas, operários das letras, outros mais.

Mas Deus, na sua eterna bondade o compensou, fazendo morrer sem nada lhe faltar, ao lado da sua querida esposa Iolanda e dos filhos Zeca, Orlando, Ladjane e Antonio, dos seus sete netos e da sua primeira bisneta.

E não tinha o Patrocínio nenhuma vaidade? Sim, claro que tinha! Qual o ser humano que não carrega em si alguma vaidade? Delas conheci três, a saber: a esposa, os filhos, os netos e a bisneta (a família); o jornalismo; e a banca Globo, situada na Avenida Guararapes, edificada no ano de 1951. Tinha outras duas bancas, mas as outras bancas eram as outras bancas. O seu Xodó sempre foi a banca Globo!

PRIMEIRA VAIDADE: A FAMÍLIA!

Dela, falarei um pouco daquilo que me passou o Mestre Patrocínio e do que pude conhecer da saudável convivência minha com os Patrocínios. Sobre a esposa dona Iolanda, minha querida amiga-irmã e conterrânea, dizia-me sempre: “tudo que tenho na vida foi Iolanda que me deu: os filhos, a banca e a minha insistência ou teimosia mesmo em continuar jornalista”. “Eu era um fraco, Ela não! Por mim teria corrido, mas ela não me deixava correr”.

Sobre a união e valoração da família, me dizia: “Jurandir, um Homem pode errar em todos os sentidos, mas não pode errar para com a sua família. Mulher e filhos são dávida de Deus”.

À época Eu havia me separado, recentemente. Ele tentou por tudo negociar a volta. Mas não havia volta. Meu erro foi grosseiro! Mas isso me serviu de lição: em nenhum momento abandonei a família. A separação existiu é verdade, mas sempre me fiz presente. Graças a Deus!

Dona Iolanda, sua esposa era por Ele tratada com uma verdadeira Deusa. Dizia-me sempre: “essa é a minha Deusa na terra! Não há mulher alguma melhor do que Ela. É uma boa esposa, uma boa companheira, uma boa mãe, uma boa avó e agora uma tremenda bisavó”.

Os filhos Zeca do Patrocínio, Orlando, Ladjane e Antonio representavam o seu mundo especial. Era rigoroso quando devia ser, mas um pai amoroso, cuidadoso, dedicado em todos os instantes. Foi mais do que isso. Foi mais do que um Pai, foi amigo de seus filhos!

Os netos: sete netos ou sete filhos. Ele não sabia distinguir! Era uma só família. Os filhos eram netos quando deveriam ser tratados como tais (eternos meninos); da mesma forma que os netos eram filhos quando assumiam a idade de gerir as suas próprias vidas.

Depois disso, bisavô! Aí foi diferente, Ele é que se tornara criança. Passou a ser filho dos seus filhos e neto dos seus netos. Essa é a inversão da vida, dizia-me Ele. “Iolanda e Eu agora somos monitorados pelos filhos e pelos netos. Já em relação à bisneta, essa sem saber já manda na gente”.

SEGUNDA VAIDADE: O JORNALISTA, O JORNALISMO, O SOFRIMENTO DE UMA PAIXÃO PROFISSIONAL!
“O QUE ME INTERESSAVA PARA O JORNAL, EM QUAISQUER CIRCUNSTÂNCIAS OU SETOR, ERA NOTÍCIA, SOMENTE NOTÍCIA.”

Patrocínio iniciou a sua longa jornada, como Jornalista Matuto, em 1938, no jornal Vanguarda, de Caruaru. Em 1947 entrou para a chamada grande imprensa, ao trabalhar para o Jornal do Commercio, do Dr. F. Pessoa de Queiroz, mais tarde “Diário da Noite”, também da empresa Jornal do Commércio, donde somente saiu em 2002.

Foram, portanto, 64 ANOS DE JORNALISMO, uma marca, quase imbatível! Não conheço ninguém com tanto tempo de profissão. Era o decano do jornalismo pernambucano. Se não o, um dos!

Isso sem considerar que aos 11 anos de idade, para usar da sua própria palavra, já “engendrava” jornaizinhos escolares, sendo um deles intitulado: “O Reflexo”, ainda em Caruaru.



Já no Recife (chegou à Capital em 1944, em companhia dos pais), além de colaborar com o “Jornal do Commércio” escrevia, igualmente, para “O Correio de Moreno”, e, ainda, para semanário “O Madeira Rubra”, de comunicação esportiva, também em Moreno, no ano de 1947, e outros mais da época.



Em longa, inspirada e importante entrevista para a história do jornalismo pernambucano, concedida aos jornalistas Evaldo Costa, Homero Fonseca e Paulo Fradique, Patrocínio falando sério, conta histórias engraçadas, descontraídas e que demonstram antes de tudo a manipulação da grande imprensa em relação à adulteração de textos trabalhados pelos repórteres nas suas diversas missões quando da apuração de fatos, ou furos jornalísticos.



EM EMPRESAS COMO “LLOYD BRASILEIRO”, ONDE TRABALHOU PATROCÍNIO, QUE TINHA O CONTROLE DO PORTO DO RECIFE, UMA REPORTAGEM LHE CUSTOU O EMPREGO. E A MESMA REPORTAGEM LHE RENDEU SER JORNALISTA REMUNERADO DO JORNAL DO COMMERCIO. FOI ASSIM QUE COMEÇOU, COMO PROFISSIONAL.



Os jornalistas acima já identificados lhes perguntam:

ENTREVISTADORES: Como foi?

“Submeti-me a uma prova interna na agência local do Lloyd Brasileiro, na qual permaneci funcionário, e conheci ainda não jornalista, o Clodemir Leite, que tempos depois coloquei na imprensa. E comecei a enviar textos para o Jornal do Commercio, sem compromisso, mas muitos eram publicados. Certo dia, o superintendente do Lloyd, um capitão-de-fragata reformado, de cujo nome não me lembro, que lia as minhas coisas no Jornal do Commercio, chamou-me à parte e disse: “Patrocínio, você é jornalista e o porto do Recife está entupido de lama, a ponto de nossos navios estarem sendo esvaziados no porto de Cabedelo, na Paraíba. Por que voce não faz uma reportagem? Arranje um fotógrafo, eu lhe dou a lancha Ipiranga e voce faz uma boa reportagem...!



ENTREVISTADORES: E como voce fez? Foi ao Diário da Noite para vender, sugerir a publicação? Como foi isso?

JP. “Eu mesmo a entreguei; já tinha um canal lá. A matéria era uma crítica forte. O Coronel Viriato (Osvaldo Viriato Passos de Medeiros, coronel do Exército), então superintendente do porto, me mandou um recado: “Diga a esse Patrocínio que eu vou ao Rio de Janeiro conseguir a demissão dele”. Eu achei que aquilo era impossível, mas, quando dei fé, estava na rua. A imprensa de Pernambuco e a imprensa nacional fizeram um movimento extraordinário. O coronel foi considerado persona non grata da imprensa pernambucana. Então transformei-me jornalista remunerado do Jornal do Commercio”.

PATROCÍNIO, MESMO QUE JORNALISTA, UM TALENTO PERSEGUIDO PELOS GRANDES JORNAIS!

José Patrocínio Oliveira, ou Zé do Pato como era carinhosamente conhecido no meio jornalístico, foi muito perseguido pelas empresas empreendedoras de jornais, principalmente pelos dois jornais do sudeste para os quais trabalhou: O Globo, do Rio de Janeiro; e a Folha de São Paulo, que como o nome indica, de São Paulo.

Deles conheço a “fama” e os tortuosos caminhos percorridos, sempre com um tipo de imprensa comprometida e abjeta, quando interesses mesquinhos se sobrepõem aos interesses maiores de uma imprensa livre, sadia, etc.


Para se ter um a idéia, o Mestre Patrocínio na mesma entrevista que acima citei, concedida no dia 16.11.2004, aos mesmos jornalistas pernambucanos Homero Fonseca, Paulo Fradique e Evaldo Costa, que representavam o PROJETO MEMÓRIA VIVA DA IMPRENSA DE PERNAMBUCO, foi enfático, respondendo às perguntas que lhes foram formuladas, com alguns destaques abaixo selecionados:

ENTREVISTADORES: E O Globo, que tipo de matéria pedia?

JP. “Com O Globo sofri horrores pelo seguinte: existia no jornal um anticomunismo exacerbado. Eu quase não agüentava aquilo. As alterações, adulterações de matérias eram constantes. O pior é que eles mandavam enviados especiais, os enviados especiais faziam a cobertura e, quando elas saiam, eles botavam: “Do correspondente”. Aí eu entrava em agonia sem poder pedir demissão.


ENTREVISTADORES: Lembra-se de alguma matéria que exemplifique isso?

JP. Vocês estão me esfolando, mas eu estou gostando...

ENTREVISTADORES: Porque isso é historia, viu Patrocínio? Estamos gravando aqui o depoimento das pessoas, com as mais diversas versões e esclarecendo os pontos de vista que não estavam esclarecidos. E temos o tempo todo para conversar.

JP. O Globo queria uma entrevista com o doutor Pelópidas Silveira (ex-prefeito do Recife e ex-vice-governador de Pernambuco). Eu não me lembro o cargo dele na época, faz muito tempo... O enviado especial entrou em contato comigo e eu telefonei para o doutor Pelópidas, com quem tinha um bom relacionamento. O rapaz fez a entrevista e saiu tudo errado no jornal. Estava lá: “Do correspondente”. Doutor Pelópidas telefonou para mim e disse: “Patrocínio: que canalhice é essa que voce fez comigo?”. Eu falei: “Doutor Pelópidas, não fui eu, foi...”. Ele replicou: “Mas está aqui: “Do correspondente”. Então eu levei para ele uma cópia do original da matéria, pois tinha que ficar uma comigo, e ele se convenceu.

Veja leitor de CANETADAS quanta baixaria existe por trás das cortinas da redação de um grande Jornal. Veja como os “BARCAMATEIROS” DE O GLOBO sempre atiraram contra as pessoas, não livrando nem mesmo a cabeça de seus jornalistas, repórteres, quando o interesse de servir a elite dominante do país, assim determina.



ENTREVISTADORES: O mais retumbante episódio desse tipo foi a história dos bacamarteiros de Caruaru e Altinho. O Globo tinha claramente uma tendência de direita, de apoiar as forças conservadoras contra os governos de João Goulart e Miguel Arraes, e os bacamarteiros foram apresentados numa reportagem sua como “Guerrilheiros de Pernambuco”, “forças armadas pelo governo”...

JP. Numa época pré-junina, O Globo me pediu que fizesse uma reportagem sobre os bacamarteiros. Aí eu vibrei, porque, além do conhecimento que eu tinha desde menino sobre o assunto, Caruaru é uma das minhas “pátrias”. E me preparei também lendo um livro que o então Instituto Joaquim Nabuco publicara sobre o tema. Por sorte, antes de enviar a matéria, mostrei a vários colegas do Jornal do Commercio. Lembro-me, por exemplo, de Tereza Figueiredo, Guilhermão [Antônio Guilherme Rodrigues], genro do vereador Carlos Duarte, notório comunista, etc. A reportagem saiu numa segunda-feira, dia em que O Globo vendia muito, porque tinha um suplemento esportivo que, numa época em que televisão ainda não tinha muita força, era um verdadeiro show. Eu já tinha banca de revista e fui com minha mulher ao aeroporto pegar os jornais. Uns 15 mil exemplares naquele dia. Quando olhei o que estava na primeira página, quase caio. Se fosse hoje teria sofrido um enfarte: “Bacamarteiros de Caruaru transformados no exército subversivo de Arraes. Do correspondente José do Patrocínio Oliveira. Continuação na terceira página”.

ENTREVISTADORES: Não havia uma palavra do que você tinha escrito?

JP. Quase nada do eu tinha escrito! Eu disse: “Meu Deus do céu”, e comecei a chorar ao mesmo tempo em que dizia a minha mulher: “Estou profissionalmente destruído e pessoalmente desmoralizado”. Ela também chorava e dizia: “Como se faz isso com uma criatura!?”. Pensei em jogar todos os jornais fora, mas não podia porque já tinha muita gente atrás do suplemento esportivo. A repercussão foi horrível, horrível, e fiquei uns oito ou dez dias em casa, escondido. À época, eu morava na Rua da Glória, defronte à casa do jornalista Sócrates Times de Carvalho, que era muito meu amigo e me permitia, inclusive, que eu usasse o seu telefone. Um dia a mulher dele foi lá em casa e disse: “Doutor Arraes está no telefone e quer falar com você”. Fui atender tremendo e pensando: “Ele vai me chamar de tudo o que é nome!” Quando atendi, ele começou a rir, e disse: “Patrocínio: eu estou sabendo do seu drama. Pode aparecer. Isso foi mais uma safadeza de Roberto Marinho!” então falei: “Doutor Arraes, o senhor não sabe o peso que tirou da minha cabeça, do meu corpo...”

COMENTÁRIOS DE CANETADAS. A palavra do Dr. Arraes, através do telefonema que lhe deu, fez Patrocínio não se intimidar, levando-o a continuar na sua jornada de trabalho, mesmo em O Globo. Muitas vezes a sobrevivência de um Homem o leva ao sofrimento interior. Patrocínio tinha família precisava do emprego, até porque se deixasse o Globo perdia a revenda dos jornais. Que situação...! Anos depois, quando me contava isso, seus olhos ainda lacrimejavam.

ENTREVISTADORES: Você identificou quem adulterou a matéria n’O Globo?

JP. Foi Alves Pinheiro e um paraibano, que era o editor-chefe e que, apesar de bons jornalistas, eram anticomunistas. Agora, imagine o seguinte: se a reportagem sobre os bacamarteiros tivesse sido feita mesmo pelo correspondente, eu teria sido imediatamente demitido e O Globo limparia a barra com Arraes, mas continuei trabalhado, embora vários amigos me aconselhassem a sair de O Globo. O salário não era grande coisa, mas a venda do jornal compensava.

CANETADAS > AS INJUSTIÇAS QUE SOFRERA PATROCÍNIO NAS MÃOS DA IMPRENSA FACISTA DE SÃO PAULO E DO RIO. DEPOIS DE QUASE TRÊS DÉCADAS DE TRABALHO SAIU SEM NADA RECEBER, SEM NENHUM VINTÉM. SEU ÚNICO E ÚLTIMO RECURSO: A JUSTIÇA DO TRABALHO.

ENTREVISTADORES: Como saiu de O GLOBO? Foram quase trinta anos, não é? Fez algum acordo?

JP. Não. Quando um grupo olha a sua idade, é negócio sério. Você vai sendo encostado. O Globo resolveu botar uma sucursal aqui e me mandou um memorando agradecendo a colaboração... E tchau! Eu não tinha carteira assinada, mas fui à Justiça do Trabalho e eles me pagaram tudo.

JP. A mesma coisa foi na Folha de S. Paulo. A Folha me agradeceu, mas ficou nisso... O pior é que já existia a sucursal, instalada numa sala da qual eu e minha mulher éramos fiadores, assim como éramos do telex, alugado à Embratel. Os móveis e a máquina de escrever, também eram meus. Num dia de sábado eu cheguei lá e não havia nada! Falei com o síndico, arranjamos testemunhas e demos parte à polícia. E a Folha terminou me pagando tudo atualizado. Paulo Sérgio Scarpa, um profissional da melhor qualidade e caráter, que eles mandaram certamente para me substituir, não tinha nada com a minha saída da Folha nem com a brusca mudança, nem com as “manobras”. Ele se mudara para uma sala no edifício Ébano por determinação da alta direção da Folha.

ENTREVISTADORES: VOCE FALOU DE O GLOBO, DA FOLHA... FALE DO JORNAL DO COMMERCIO, A EMPRESA COM A QUAL VOCÊ TEVE A LIGAÇÃO MAIS LONGA. CONTE UM POUCO DA SUA HISTÓRIA NESSE JORNAL, DA ENTRADA ATÉ A SAÍDA.

JP. Minha vida no Jornal do Commercio na última fase só...

(NESSE INSTANTE FOI INTERROPIDO PELOS ENTREVISTADORES, PARA PEDIREM UMA POSIÇÃO MAIS ABRANGENTE).



ENTREVISTADORES: NÃO, FALE DE SUAS VÁRIAS FASES.

JP. Eu trabalhei no diário da Noite e no jornal do Commercio e tal... Repórter especializado, setorista, como eu disse, na Assembléia, na Câmara Municipal. Tinha uma coluna diária no Jornal do Commercio com um título bem pitoresco: “Nótulas Provincianas”. Era sobre tudo que eu entendesse.

ENTREVISTADORES: Mas por que “provincianas”?

JP. Porque era da província. Pernambucano não é província?

ENTREVISTADORES: NESSE SENTIDO, TODO JORNAL SERIA PROVINCIANO.

JP. Tenho um bom relacionamento com Ivanildo Sampaio (entrevista nas págs. 174 a 189). Ainda hoje ele me telefonou para falar da camaradagem pessoal, cordialmente. No começo da carreira dele, na página do Interior do Jornal do Commercio, eu o ajudava com dicas, com coisas. Eu nem me lembrava mais disso, mais um dia ele me relembrou e me senti honrado. Mas, quando ele voltou para o jornal, já com João Carlos Paes Mendonça, eu cheguei em casa muito exultante e disse à minha mulher: “Olha, assumi a direção da redação do JC. Um antigo amigo meu, eu vou aproveitar, ele vai melhorar a minha condição, porque sou editor, mas não ganho como editor”.

Quando veio a reforma administrativa, eu recebi baixa classificação. O meu salário foi defasado e eu passei a ganhar como repórter “C”, quase como estagiário. Falei com meu advogado e, como eu já tinha uma questão contra a Folha, ele sugeriu que me agüentasse. Mas quando instalaram os computadores na redação houve um curso para os redatores e um rapaz me mandou sair dali porque meu nome não estava na relação dos que iam participar, tinha que falar com os meus superiores. Não fui falar, cheguei à conclusão de que estava perdendo tempo, ficando velho, me aperreando muito. O novo diretor financeiro da empresa era meu amigo e tentei um acordo. Mas o dinheiro que me ofereceram não compensava. Meu advogado fez os cálculos corretamente, deu uma entradinha na Justiça e eles não contestaram. Eu recebi, saí, vim embora e fiquei amigo de todos, não briguei com ninguém. Graças a Deus!

CANETADAS. PATROCÍNIO, UM DOS POUCOS QUE SEMPRE DEFENDEU O CURSO SUPERIOR PARA O JORNALISTA, INLUSIVE APOIANDO MÁRIO MELO. O DIPLOMA, TÃO DISCUTIDO DIPLOMA! CONFIRA ABAIXO:

ENTREVISTADORES: A maioria dos jornalistas de sua geração era contra a criação de cursos de jornalismo. Voce foi defensor e também professor...

JP. O jornalista e historiador Mário Melo cogitou de cursos de jornalismo e tal e coisa. Então, depois de uma conversa com ele, escrevi um artigo alegando sobre a importância de um curso de jornalismo, argumentando apenas que deveriam ser respeitados os direitos dos que já exerciam a profissão. Mário Melo morreu e os cursos não foram criados, mas, um dia, Novinha, que era revisora do Jornal do Commercio, e da qual eu não me lembro o nome agora, sugeriu ao SESC, de onde era também funcionária, a criação de um curso intensivo de jornalismo. O SESC aprovou e convidou inicialmente Plínio Pacheco, que trabalhava no Diário da Noite, para ser o coordenador. Isto foi no começo dos anos 60. Como ele não tinha tempo disponível, pois estava cuidando de Fazenda Nova, do espetáculo da Paixão de Cristo, me indicou. Elaborou-se um programa de quatro meses, por mim decidido, e eu não apenas dava aulas bem práticas como chamava os colegas mais experientes das redações para ministrar ensinamentos.

Essa experiência durou quatro anos. Terminou quando se instituiu o curso na Universidade Católica de Pernambuco (de acordo com o Departamento da Unicap, em 1961).



ENTREVISTADORES: COMO VOCE VÊ HOJE A CRIAÇÃO DOS CURSOS E A REGULAMENTAÇÃO DA PROFISSÃO, QUE EXIGE QUE TODO JORNALISTA TENHA CURSO?

JP. Acho uma coisa positivíssima. Acho que jornalista deve ir à universidade fazer o curso normal, estágio, pós-graduação, etc. Começar como eu comecei não pode existir mais. Agora, não sei como esse pessoal que está estudando jornalismo vai se empregar. Hoje existem mais jornalistas do que lugar para se trabalhar...

ENTREVISTADORES: E O FUTURO DO JORNALISMO?

JP. Do modo como a tecnologia está avançado é difícil prever, não é? Os acontecimentos na internet, em cima de voce, bem antes dos jornais. Aonde os jornais vão parar?

ENTREVISTADORES: COMO VOCE ANALISA OS JORNAIS, ESPECIFICAMENTE?

JP. Os jornais brasileiros estão com dificuldades financeiras, todos eles. O Globo, aquela potência está com as pernas trôpegas. O Jornal do Brasil só Deus sabe como é que vai, né?



Observação de CANETADAS: (O Jornal GAZETA MERCANTIL fechou. Patrocínio tinha razão. A vida dos nossos jornais está numa verdadeira corda bamba...)



ENTREVISTADORES: VOCE ACHA QUE VALE A PENA SER JORNALISTA?

Para mim valeu a pena...



Obs: Essa entrevista de José do Patrocínio se encontra nas páginas de 02 a 15 do livro MEMÓRIA VIV DA IMPRENSA DE PERNAMBUCO.



Estimados leitores de CANETADAS:

Patrocínio participou, também, de todos os quase todos os Encontros e Congressos de jornalista. Em 1953, aqui em Pesqueira esteve no VIII CONGRESSOS DE JORNALISTAS DE PERNAMBUCO, presidido pelo jornalista Paulo de Oliveira (meu saudoso pai). Em 1981, do III ENCONTRO DOS JORNALISTAS DO INTERIOR, EM HOMENAGEM AO CINQUENTENÁRIO DA AIP – ASSCOIAÇÃO DA IMPRENSA DE PERNAMBUCO, presidido simultaneamente pelos jornalistas Jurandir Carmelo, representante da AIP em Pesqueira e Joezil Barros, presidente da AIP. Congressos outros a nível nacional, no Rio de Janeiro; Também, em Garanhuns, Palmares, Timbaúba, Caruaru, Recife, etc e tal.

RÁPIDA CRONOLOGIA SOBRE A VIDA PROFISSIONAL DE JOSÉ DO PATROCÍNIO:

1924: José do Patrocínio Oliveira nasce no dia 24 de novembro, em Brejo da Madre de Deus, Pernambuco. De acordo com o jornalista, ele nasceu em 1927, mas o pai, com o objetivo de que ingressasse cedo no Exército, efetuou o seu registro como se tivesse nascido três anos atrás; 1936: Inicia os estudos de língua inglesa, utilizando, ao longo dos anos, os serviços de vários professores particulares; 1937: Trabalha na fábrica de cerveja do pai, a primeira no interior pernambucano, produtora das marcas “Guararapes” e “Batalha”; 1939: Escreve extensa série de artigos sobre a II Guerra Mundial, que são publicadas no Diário de Pernambuco, na seção “Cartas”; 1944: Na véspera do Natal, vem morar com a família no Recife, residindo inicialmente no bairro de Coqueiral. Para sobreviver, dá aulas particulares de inglês e português; 1947: Começa a colaborar com o Jornal do Commercio, Correio de Moreno e Madeira Rubra (também do Município de Moreno), especializado em literatura. Presta serviços à revista Manchete, ao grupo Time Life, The Associated Press e United Presse Internacional; 1948: Inicia longo debate, em vários jornais, com o jornalista Mário Melo a respeito de questões da língua portuguesa; 1949: Passa num teste para o Lloyd Brasileiro, empresa de navegação, mas trabalha pouco tempo, demitido devido a uma reportagem publicada na primeira página do Diário da Noite sobre a lama que entupia o porto do Recife; 1951: Inaugura, na Avenida Guararapes, Centro do Recife, a primeira Banca Globo; 1962: Redator do Repórter Esso, da TV Jornal do Commércio, apresentado por Edson de Almeida; 1986: Recebe a Medalha do Mérito da Fundação Joaquim Nabuco, “por relevante contribuição à cultura brasileira”; 2000: Inaugura a Casa da Palavra Professor Antônio Houaiss, no terceiro andar do Edifício Continental, na Avenida Guararapes. A entidade possui diversificado acervo bibliográfico e é aberta a estudantes e pesquisadores; 2002: A Assembléia Legislativa de Pernambuco aprova voto de Aplauso pelo cinqüentenário de sua Banca Globo, o corrido no ano anterior. Sai do Jornal do Commercio. Anos havia se desligado da Folha de S. Paulo, de o Globo e do Diario de Notícias; 2010: Morreu Patrocínio no Recife, aos 83 anos, pelas 17h45minhoras do dia 08 de março de 2010, no Hospital Jayme da Fonte, sendo sepultado no Mausoléu dos Jornalistas, no Cemitério de Santo Amaro, deixando viúva dona Iolanda, quatro filhos, sete netos e uma bisneta.



TERCEIRA VAIDADE: ALÉM DE JORNALISTA, JORNALEIRO. A BANCA GLOBO, SITUADA EM UM DOS CANTEIROS DA AVENIDA GUARARAPES, CENTRO DO RECIFE, DEFRONTE AO ANTIGO CINEMA TRIANON, TENDO DO OUTRO LADO OS CORREIOS E TELEGRÁFOS, ERA PASSAGEM OBRIGATÓRIA DE JORNALISTAS, ESCRITORES, PROFESSORES, JURISTAS, ENFIM DE INTELECTUAIS MIL.

ZECA DO PATROCÍNIO, ORLANDO, ANTONIO, E A MINHA QUERIDA AMIGA LADJANE, SEUS FILHOS, SE REVEZAVAM, MELHOR DIZENDO, AINDA, SE REVEZAM, QUASE QUE DIUTURNAMENTE, PARA VENDER CULTURA AO POVO RECIFENSE E DE OUTRAS PLAGAS.

Na mesma entrevista.

ENTREVISTADORES: E esse seu lado jornaleiro, como é que começou?

JP. Foi o doutor Roberto Marinho. A distribuição de O Globo aqui era feita por um gazeteiro conhecido por “Manchete”. Ele recebia 20, 30 exemplares. Parece que custava um dinheiro qualquer, mas “Manchete” não pagava as contas e tal. Um dia um parente de Roberto Marinho conhecido como capitão Luiz Paulo Jacobina Vasconcelos me telefonou do Rio e disse: “Roberto quer falar com você”. Não podia imaginar nunca ser o doutor Roberto Marinho. Ele disse: “Você vai distribuir e tal...” Eu nunca tinha vendido jornal, nunquinha. Ele me autorizou a comprar a banca, uma caminhonete F-100. Mas a minha mulher disse: “A banca vai ser comprada com nosso dinheiro e vamos comprar um carrinho modesto, porque você hoje está muito bem em O Globo, mas amanhã o jornal resolve outra coisa...”

ENTREVISTADORES: A banca já era na Avenida Guararapes?

Já, já. Quando ela fez 50 anos, o senador Marco Maciel passou-me um telegrama de congratulações e disse ser cliente e admirador da Banca Globo.

ENTREVISTADORES: Tem um episódio, Patrocínio, que é importante que voce registre aqui. Apesar das ameaças de bombas, voce vendia jornais da imprensa alternativa, que se opunha à grande imprensa, porque era censurada ou auto-censurada. Conte a história.

JP. A chamada direita violenta queria impor a proibição de jornais alternativos, de jornais de esquerda. O Pasquim, Opinião, Movimento, Coojornal, etc. Aí, então. Eu dei entrevista à rádio, à TV, aos jornais do sul, a quem aparecesse. Eu dizia: “Não comungo com as idéias desses jornais, não concordo com muitos pontos de vista, mas não se combate idéias com violência. Idéias se combatem com idéias, livre discussão, e os jornais de esquerda, os jornais comunistas, continuarão a ser vendidos na Banca Globo, custe o que custar. Se não pudesse mais vender na banca, venderia na mão”. Aí fizeram ameaças. Mandaram bilhetes dizendo: “Sua banca vai voar pelos ares”. Isso me valeu um elogio cachorro da molesta, como se diz no interior, de o Pasquim. Publicou uma foto minha defronte da banca de jornal, com o título: “Cabra Macho!”


CANETADAS > Deixando esses belíssimos trechos de tão importante entrevista, que marca pedaços da história da imprensa pernambucana, e no sentido de encerrar essa homenagem, pretendo fazer mais duas importantes colocações: a primeira, ainda sobre a banca Globo.

Quando morei em Recife (mais de vinte anos) participei de dois momentos da história da banca Globo. O primeiro deles relacionado a um grave acidente ocorrido na Avenida Guararapes (Recife), na década dos anos noventa. Um ônibus da empresa Borborema guiado, em alta velocidade, por um irresponsável motorista, desgovernou-se e bateu fortemente na banca Globo. Foi, na realidade, um acidente de grande proporção e repercussão. Tão grave que chegou a morrer uma professorinha da Zona da Mata (Norte ou Sul, não lembro), que estava em passagem pelo Recife e que se encontrava na Avenida Guararapes esperando um ônibus. Nisso um cidadão que conhecia Patrocínio e que a tudo assistiu, correu até a sua sala, localizada no Edifício Continental, também, na mesma Avenida Guararapes, e lhe disse: “Patrocínio teve um acidente feio ali na Guararapes. Espirituoso, Patrocínio retrucou: “voce já viu acidente bonito”? Mas, foi na sua banca GLOBO. O que está dizendo? Como está meu filho Orlando? Desceu as carreiras para saber do filho. A banca pouco lhe importava. O que importava era o filho. Orlando estava bem. Graças a Deus!

E assim sendo mais uma vez Patrocínio procura a minha banca de advogado no Edifício Santo Albino e diz: Mais uma ‘rica’ causa para você. Resolvemos a questão indenizatória de danos no juízo competente. A indenização foi paga. Mais uma vitória!

O segundo, quando disse aos seus filhos que Eu poderia suprir as suas necessidades em relação às apostilas, ou apostilhas, como queriam, para concursos públicos. (Prefiro o termo apostila). No escritório chega-me o Antonio, filho mais novo de Patrocínio e me diz: “Jurandir, vamos fazer umas apostilas”. Como assim, o interrogo? Responde Antonio: “Vai ter concurso público para isso ou para aquilo, e precisamos atender à nossa clientela. A banca tem nome, também, no que se relaciona a vendagem de apostilas para concursos. E as nossas normalmente vêm de São Paulo. Agora mesmo tem um concurso para a Prefeitura da Cidade do Recife e o tema passa pelo Código Tributário do Município. Pedi-lhe um tempo! Passei a estudar a idéia e terminei por fazer várias apostilas, para diversos concursos públicos. E como dizia Patrocínio: “o dinheiro era pouco, mas era mais um dinheiro que entrava”. Com esse ganho extra, comprei o primeiro quarto do meu querido filho Jurandir Carmelo Araújo de Oliveira Junior, até mesmo um ar condicionado, na loja Primavera.

Valeu Patrocínio! Juro que valeu! Que Deus o tenha e conforte a Dona Iolanda, Zeca, Orlando, Ladjane, Antonio e aos seus netos e única bisneta sua!

“De Pesqueira para o além, ou como diz Roberto Carlos, “além do horizonte...

Ø Jurandir Carmelo e minha Cara Metade, Gilcéia, como voce perguntava (Cadê a sua cara metade...). Dos filhos todos e de todos os netos e bisnetos de Paulo de Oliveira e dona Ninfa. Também, do blog de Sinésio!


(*) Advogado e jornalista

Introdução

Nome: Carlos Sinésio de Araújo Cavalcanti
E-mail: carlossinesio@gmail.com

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2010-03-14 14:25:35
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