Algo a dizer – Por Carlos Sinésio
Cadê nossos saborosos frutos nativos?
O processo devastador do desmatamento continuado na região de Pesqueira e em todo o Agreste pernambucano, a cada dia, causa mais prejuízos à natureza e ao homem. É impressionante o crescimento de áreas devastadas para cultivos de lavouras e a criação de pequenos rebanhos que exigem muita terra para sobreviver no semi-árido nordestino.
Lugares onde há duas ou três décadas se viam ainda resquícios de mata original praticamente foram extintos. Em Pesqueira, por exemplo, uma das pouquíssimas áreas que ainda têm alguma mata é no sopé da Serra do Ororubá. Porém, o que ainda permanece não é porque o homem queira preservar ou esteja querendo dar uma colher de chá ao meio ambiente. Isso ocorre simplesmente por serem locais muito acidentados, onde não se permite cultivo de lavouras tradicionais ou criação de gado.
Coisa rara é ver alguém na região preocupado com o reflorestamento de locais degradados. Assim como ocorre em outros lugares de Pernambuco, nem mesmo as matas ciliares, aquelas que por lei deveriam ser preservadas para garantir os mananciais, permanecem ou recebem tratamento o mínimo que seja de preservação ou recuperação. É lamentável, pois as gerações futuras ficam condenadas a sofrer muito mais do que as populações de hoje.
Há duas décadas, era comum se encontrar algumas áreas com cobertura vegetal densa na região da chamada ribeira pesqueirense, que compreende as comunidades de Papagaio, Cacimbão, Baraúnas, Açude do meio, Beira Mar e adjacências. Nas terras da antiga Fazenda Alagoa do Meio, por exemplo, onde cresci entre bichos e plantas, não era difícil encontrar pés de jaboticaba (Myrciaria cauliflora), ubaia (Eugenia uvalha), umbu (Spondias tuberosa arruda) e jatobá (Hymenaea courbaril) nos anos de 1980. Hoje, pouco resta dessas plantas frutíferas nativas que enchiam barriga de homens e animais.
O agrônomo e cientista pesqueirense Moacyr Brito de Freitas, ex-diretor das Fábricas Peixe, costumava dizer que, aqui no semi-árido, uma área devastada levava, no mínimo, 20 anos para ser reflorestada naturalmente com vegetação mesmo assim rala. É o que se chama de capoeira. Imagine quanto tempo é necessário para se recuperar uma terra desmatada até que se chegue a ter árvores nativas frondosas e adultas. Bote tempo nisso.
Diante deste quadro entristecedor, resta a esperança de que instituições públicas, como as prefeituras municipais, e órgãos privados, a exemplo de ONGs, firmem parcerias, tomem atitudes sensatas e desenvolvam projetos de reflorestamentos. A começar por programas educativos junto aos jovens que vão precisar, muito em breve, de mais ar puro e de água limpa para viver. E, quem sabe, de um rio para pescar e da sombra de um umbuzeiro para descansar e contemplar o canto de algum passarinho nativo da sua região?
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