Tremores: Governador pede calma ao povo de Alagoinha
Para tranquilizar os 15 mil moradores de Alagoinha e mostrar a real proporção dos tremores de terra na região, o governador Eduardo Campos esteve na cidade na manhã de ontem (11/03). Acompanhado de especialistas em sismologia, Eduardo falou para centenas de moradores que se reuniram na praça principal da cidade e visitou algumas casas danificadas pelos abalos no Sítio Carrapicho, a 17km da sede do município.
Desde o último dia 03, os moradores do pequeno município do Agreste pernambucano, localizado a 220 km do Recife, vêm sentindo pequenas vibrações do solo, que se intensificaram desde a madrugada da última terça-feira. Até o momento, 64 pequenos tremores já foram registrados. No pequeno palco armado em frente à prefeitura para a palestra, os especialistas explicaram que Pernambuco tem uma falha geológica antiga, que divide o seu solo em duas partes e propicia a ocorrência destes pequenos abalos.
“São tremores de pequena intensidade acontecendo aqui porque Pernambuco tem uma espécie de cicatriz antiga que se abre quando há um esforço maior. Mas é bom que aconteçam muitos pequenos, pois eles evitam que aconteça um grande”, explicou Gorky Mariano, da Universidade Federal de Pernambuco.
O geólogo Eduardo Menezes, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, explicou que tremores maiores são sentidos com freqüência em cidades como Caruaru e São Caitano e que por isso os alagoinhenses não precisam temer o pior: ”Essa ideia de um grande tremor não vai acontecer. A magnitude máxima é de quatro (na escala Richter), que não traz nenhum dano às construções”, garantiu. A UFRN é tida como referência no país e é responsável pelo monitoramento de todo o Nordeste.
Para o governador, explicar o fenômeno aos alagoinhenses é a melhor coisa a fazer no momento para evitar uma possível onda de boatos. “Não vamos diminuir o problema, mas também não vamos permitir que se aumente na consciência da população. Muitas vezes a desinformação ou a informação imprecisa gera o pânico. É preciso esclarecer a atitude que deve ser tomada quando ocorrem os terremotos”, disse.
Uma cartilha ilustrada e de linguagem simples contendo todas as informações sobre os tremores de terra e os procedimentos de segurança que devem ser tomados pela população durante os eventos também está sendo confeccionada pelo Governo do Estado.
MEDIDAS – Embora os abalos registrados até o momento não tenham magnitude suficiente para derrubar edificações, algumas residências localizadas no Sítio Carrapicho apresentaram rachaduras nas paredes e algum perigo de desabamento. A pequena vila cravada na Zona Rural do município é formada por residências simples que, em sua maioria, não utilizam cimento em sua construção, apenas barro e tijolos.
No momento, a Codecipe realiza um levantamento preliminar que aponta 13 casas com algum tipo de comprometimento em sua estrutura devido aos abalos. Três famílias tiveram que abandonar as suas casas. Bastante danificada, a residência de Dona Alzira Barbosa Silva, 83 anos, terá que ser reconstruída. Ao receber o governador e sua equipe, a aposentada mostrou uma rachadura com quase um dedo de espessura que se abriu na parede do seu quarto.
“Acordei de madrugada e fui até a janela. Foi quando deu um estrondo tão grande que pensei que ia derrubar a casa”, confidenciou. “Agora com a visita do governador estou mais tranquila, sei que ele vai nos ajudar”, afirmou Dona Alzira Barbosa, que mora no local há 35 anos.
Especialistas do Instituto de Tecnologia de Pernambuco também irão ao local para se juntar à Defesa Civil e elaborar o relatório de avaliação de danos e riscos – Avadan. O documento apontará com exatidão quantas casas terão que ser reformadas ou reconstruídas. “Após o Avadan, vamos liberar, de forma emergencial, o dinheiro que será utilizado nas obras de reforma e construção das novas casas”, explicou o governador. Caberá à prefeitura abrir a licitação para a contratação da empresa que ficará responsável pelos serviços e providenciar o abrigo das famílias.
A instalação de um sismógrafo na cidade também foi assegurada pelo governador que se comprometeu em atuar junto ao Ministério de Ciência e Tecnologia para adquirir o equipamento. Em Pernambuco existem sete sismógrafos nas cidades de Caruaru (5), Sanharó e Gravatá.
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