ABANDONO INEXPLICÁVEL - Por Walter Jorge de Freitas (*)
Cuidar bem das vias públicas, nunca foi o forte dos nossos governantes. Nem de ontem, nem de hoje. Nem aqui, nem alhures. Uns mais, outros menos. E assim, a nossa Pesqueira continua provocando tristezas e decepções em pesqueirenses que sem interesse político ou vinculação partidária, tentam fazer alguma coisa para preservar a imagem e a História do Município.
O que se pratica em matéria de descaso com as nossas ruas e praças, é motivo para indignação e revolta, quando sabemos que sem aparecer e gastando do próprio bolso, existem pessoas que fazem, no anonimato, o que é obrigação do Poder Público.
Não estamos nos referindo à rua onde moramos e adjacências, uma vez que as mesmas ficam na periferia e fora do itinerário turístico e isto pode parecer casuísmo.
Permitir que ruas como a Paes Barreto, Barão de Vila Bela, Carlos da Silva Leitão e Adalberto de Freitas cheguem ao estado em que estão, é querer desfigurar totalmente os nossos principais cartões postais, já um tanto desbotados.
Quem transita pelas ruas Cardeal Arcoverde e Zeferino Galvão, depara-se com a triste paisagem formada pela presença de muito mato, capim, lixo e restos de materiais de construção, no beco entre os Correios e a Câmara de Vereadores.
E é justamente lá, parece incrível, que está afixada uma placa com frases alusivas à nossa História, com homenagens ao fundador de Pesqueira, Manoel José de Siqueira, ao aniversário do professor, historiador e ex-prefeito do município, José de Almeida Maciel, ao Poço Pesqueiro e à histórica Rua do Capim.
A placa, devido à falta de limpeza, encontra-se quase ilegível. O pasto, ou melhor, o capim e o mato ocupam quase todo aquele espaço.
Para completar o quadro deprimente, foram colocadas umas porteiras, dando-nos a entender que a área antes de utilidade pública, agora está privatizada.
E tudo isto, pasmem, sob os olhares indiferentes dos nossos laboriosos edis.
Os homenageados, caso voltassem à terrinha que tanto amaram, certamente não iriam gostar. Decepcionados, nem desceriam da condução que os trouxe.
A impressão que causa, já que a origem do município está ligada à existência de uma fazenda e uma rua chamada de Rua do capim é que talvez estejam querendo tornar a coisa mais real ou dar um toque de originalidade à homenagem, ou seja, já tem o mato, o capim, a cerca e as porteiras, colocando-se lá, umas vaquinhas, teríamos o retrato fiel do começo do processo de urbanização de Pesqueira.
Entristece-nos e preocupa-nos lembrar que nos dias 30 e 31 deste mês, teremos a 1ª etapa do III Circuito Pernambucano do Choro e na semana seguinte, o Festival Pernambuco Nação Cultural (antigo Circuito do Frio). Como sabemos, nesses dias, muitas pessoas nos visitam e creio que todo pesqueirense sentiria prazer em mostrar-lhes uma Pesqueira diferente, bem cuidada e limpa. Seria pedir demais?
Mas ainda há tempo. Com boa vontade, bom senso e gastos irrisórios, a situação poderá ser revertida e Pesqueira aparecer bem nas fotos, conforme merece.
Receber as visitas com um bom tratamento e a casa limpa, demonstra boa educação e abre perspectivas para que elas voltem outras vezes.
Pesqueira, 24 de julho de 2010.
(*) Professor e advogado
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