ANTÔNIO AVELINO - Por Walter Jorge de Freitas (*)
A partida do grande desportista Toínho Avelino para a sua última morada foi motivo de consternação nos meios futebolísticos de Pesqueira. O seu nome sempre esteve ligado ao Comercial, mesmo com a sua mudança para a cidade de Gravatá, convocado que foi pelo então prefeito daquela cidade, o ex-deputado José Fernandes. Nada se fazia no clube alvirrubro sem antes ouvir a sua opinião. Sempre foi assim, desde a sua fundação, em abril de 1959.
O certo é que, ocupando ou não, cargo diretivo, ele era a liderança forte e confiável a quem todos recorriam nas horas das decisões mais importantes.
Participamos da fundação do Clube juntamente com ele e mais alguns jovens comerciários que naquele longínquo ano de 1959, buscavam alternativas de lazer. Talvez a conquista da Copa do Mundo em 1958, tenha levado os jovens a se interessarem mais pela prática do futebol.
Sem alimentar sonhos maiores, iniciamos as atividades do Comercial apenas com o intuito de buscar divertimento. Ocorre que no grupo, existiam alguns rapazes com objetivos mais audaciosos. Desejavam ver em atividade uma entidade que oferecesse à juventude, oportunidade para que, além da prática do futebol, participasse de outras atividades sociais.
Toínho trabalhava na Companhia Comercial J. Freitas, onde era bastante conceituado. A referida firma era proprietária do prédio em que hoje funciona o Bonanza e como havia no 1º andar um salão fechado, ele e mais alguns colegas, conseguiram junto ao Sr. Jayme Campos Maynard, que o Clube fosse instalado provisoriamente naquele imóvel.
Das simples reuniões de diretoria para os primeiros eventos sociais, foi mais rápido de que muitos imaginavam. Foram realizados memoráveis bailes.
No ano de 1961, aconteceu a estréia do time comercialino em eventos oficiais, disputando um Torneio patrocinado pela Liga local. Naquela oportunidade, o clube era presidido por Lulinha Tenório e este modesto colaborador que era seu vice, estava eventualmente no exercício da presidência, devido a uma viagem de férias do primeiro mandatário.
Os resultados obtidos no campo esportivo não foram bons, entretanto, a galhardia com que as moças e os rapazes participaram do desfile, dava a quase certeza de que estava nascendo uma nova alternativa na sociedade e no futebol de Pesqueira.
Com as rendas dos bailes e a colaboração de alguns admiradores, Toínho deu um importante passo para a construção da sede social, comprando um terreno ao Dr. Deto. Este, diga-se de passagem, facilitou bastante as coisas para que a transação fosse concretizada.
A construção da sede contou com a ajuda dos associados, admiradores e muitos segmentos da sociedade. Os prefeitos Neco Tenório, Luiz Neves, Walderique, Eutrópio Monteiro e o deputado estadual Zezé Fernandes, colaboraram substancialmente com a construção.
O Clube da Rua Enedino de Freitas, enquanto realizava grandes bailes, não se descuidava do time de futebol. Veio, então, a conquista do primeiro campeonato em 1966, fato que provocou grande impacto no nosso futebol que tinha no União, mais estruturado, como sua principal força.
Outras conquistas se sucederam e o Comercial ganhou fama, passando a ser requisitado para jogar em várias cidades interioranas. Disputou também torneios patrocinados pela Federação Pernambucana. Revelou grandes nomes para o nosso futebol.
Na sua sede social foram realizados grandes e memoráveis bailes. Lá se apresentaram nomes famosos da música popular brasileira, conhecidas orquestras e renomados conjuntos.
Infelizmente, as mudanças de hábitos que atingiram a sociedade como um todo, determinaram a decadência dos clubes sociais. O Comercial não fugiu à regra juntamente com as outras agremiações da cidade. Todos sucumbiram ao modernismo.
Mesmo residindo em Gravatá, Toínho não esquecia o clube que ajudou a fundar e foi o seu maior comandante. Quis o destino que o desportista que deu outra feição ao futebol e à vida social da nossa cidade, atendendo ao chamado do Criador, deixasse este mundo, a sua terra e o seu clube, no início deste mês de julho. A Câmara de Vereadores e os desportistas em geral, lhe devem uma homenagem pela sua luta em favor do nosso futebol. Devemos cobrar sem cessar.
Pesqueira, 25 de julho de 2010.
(*) Professor e comerciante em Pesqueira
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