Soneto restante
O que sobrar de mim um dia
Talvez não valha mais nada
Apenas lembranças da amada,
Algum filho que o mundo cria
Num velho caderno, uma poesia
Que nem um soneto mesmo é...
Um crucifixo, como prova de fé
Um casaco surrado para noite fria
Na parede, relógio sem ponteiro
Umas garrafas vazias, um cinzeiro
Tesouro de um poeta bem louco
A certeza de que amou por inteiro...
Verás, no meu suspiro derradeiro,
Que de mim sobrou muito pouco.
Carlos Sinésio.
23 de julho de 2010.
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